Tratamento da obesidade grave (mórbida)

Obesidade GraveA obesidade é actualmente uma pandemia nos Estados Unidos e noutros países industrializados (figura 1), como resultado, e em grande parte, da combinação de dietas inadequadas e falta de exercício adequado. E o problema deixou de estar confinado às sociedades industrializadas. A rápida ocidentalização das dietas e dos estilos de vida na Índia, China e noutras zonas tem sido acompanhada por um aumento alarmante dos problemas de saúde relacionados com a obesidade.

O doente com obesidade mórbida constitui um desafio importante pela quantidade de peso que necessita perder. Foi este o motivo pelo qual a cirurgia bariátrica foi inicialmente proposta nos anos 50, levando ao aparecimento de uma especialidade cirúrgica que no ano passado foi responsável por mais de 140.000 cirurgias nos Estados Unidos. A segurança e eficácia das técnicas de cirurgia bariátrica têm melhorado com o passar dos anos e tem vindo a acumular-se bastante experiência.

Os clínicos têm muitas vezes relutância na indicação da cirurgia bariátrica aos seus doentes como opção terapêutica ainda que os tratamentos não-cirúrgicos da obesidade grave estejam longe de dar bons resultados. Quando todas as possibilidades de tratamento da obesidade mórbida se comparam, é difícil afastar a terapêutica cirúrgica como uma hipótese viável a considerar.

Estatísticas assustadoras

Baseados nos critérios do IMC, aproxlmadamente 65% dos adultos americanos têm excesso de peso e 31 % - um aumento de 8% na última década - têm obesidadel Mais de 15% dos adolescentes têm excesso de peso, eram cerca de 5% no início dos anos 70. Nos últimos 10 a 15 anos, a média do IMC dos americanos subiu de 24,9 para 26,5 kg/m².

A prevalência da obesidade de classe III subiu ainda mais rapidamente actualmente, calcula-se que 2,2% a 4,7% dos americanos tenham obesidade mórbida. A prevalência é especialmente elevada entre as mulheres americanas, sendo 6,3% obesas neste grau, enquanto que entre as negras não hispânicas a taxa é actualmenre de 15%. A partir dos resultados do Behavioral Risk Factors Surveillance System, Sturm calculou que a prevalência de IMC superior ou igual a 40 kg/m² terá quadriplicado entre 1986 e o ano 2000, ao passo que a prevalência de IMC superior ou igual a 50 kg/m² - os americanos mais obesos - terá subido cinco vezes.

Prevalência da obesidade em adultos dos EUA

Sem dados < 10% 10% - 14% 15% - 19% 20% - 24% > 24%